quinta-feira, 23 de junho de 2011

Os métodos da Psicologia


Os métodos da Psicologia

A Psicologia define o seu objecto e estabelece o seu método de trabalho.
Os diferentes ramos da Psicologia resultam de diferentes modos de abordagem do comportamento humano.


Método Introspectivo

A introspecção consiste num voltarmo-nos para nós mesmos e analisarmos aquilo que está dentro do nosso espírito, seja um acto praticado, um estado de espírito ou um sentimento. A introspecção é essa análise interior. Qualquer pessoa pode e deve fazer introspecção. No entanto, o método introspectivo ultrapassa um pouco essa introspecção espontânea do ser humano, pois apresenta um carácter mais sistemático, guiado.
Wilhelm Wundt criou o método introspectivo controlado (ou Introspecção na segunda pessoa) em que o sujeito é provocado, através de estímulos, e analisa e descreve o que sente. Cabe ao psicólogo anotar e interpretar o que é descrito. O objectivo é analisar a experiência consciente. Mas este método foi muito criticado, devido a algumas limitações que acarreta. Neste método, o sujeito é ao mesmo tempo observador e observado. August Comte, positivista, defende que é impossível ao mesmo tempo sentirmos e analisarmos com clareza aquilo que sentimos. Diz ele: " (...) ninguém pode estar à janela para se ver passar na rua". Quer dizer, a tomada de consciência de um fenómeno modifica esse fenómeno.
Assim, devido ao uso do método introspectivo, considerava-se que a psicologia ainda sofria uma grande influência da sua tradição ligada à filosofia, e, por isso, ainda não era ciência.
Outro problema do método introspectivo é o facto de o paciente utilizar a linguagem verbal para explicar sentimentos, emoções e estados de espírito em geral. Ora, esta é, como todos sabemos, cheia de ambiguidades; por vezes, queremos dizer uma coisa e dizemos outra, outras nem sequer há palavras para explicar bem o que sentimos. Por outro lado, quando o paciente explica o que sentiu, já é outro momento, pode haver distorção. Assim, diz-se que não é possível a verdadeira introspecção, apenas retrospecção. Há ainda limites na aplicação deste método. Ele não pode ser aplicado a crianças e doentes mentais que não se consigam exprimir. Existe, então, limitações sérias no campo da psicologia infantil, patológica e animal. Podemos ainda acrescentar a impossibilidade de aceder, com este método, ao inconsciente. Analisam-se, apenas, os estados conscientes. Com Freud, ficou bem provada a importância do inconsciente.


Método da Observação

A observação tem uma longa história no contexto da psicologia, sendo hoje considerada como um processo imprescindível na investigação, tendo, até, adquirido o estatuto de método da psicologia. Fundamentalmente, a observação consiste em olhar atenta e sistematicamente e registar o que se observa. Ocorre sempre que alguém, diferente do observado, nota, dá conta e documenta o comportamento.
É costume falar da observação sistemática por oposição à observação ocasional. Esta última, típica do senso comum, não obedece a regras e é afectada pela subjectividade das pessoas, não sendo propriamente considerada científica. No entanto, ela pode levar à demonstração de factos que inspiram importantes constatações posteriores. Foi no decorrer de uma observação ocasional, que Pavlov, ao estudar a digestão, descobriu o reflexo condicionado, verificando a existência de secreções nos animais que não eram provocadas exclusivamente por processos bioquímicos. Porém, quando se investiga em psicologia, a observação utilizada é sistemática, sujeita a um projecto previamente definido e no qual se fixam a condições que delimitam com precisão os aspectos a considerar.
Destacam-se duas formas de observação em psicologia: Observação Laboratorial e Observação Naturalista.
- A primeira é utilizada ao nível do método experimental. A realização da experiência em condições controladas, num laboratório, leva a que a situação observada seja uma situação artificial. Esta observação implica uma sistematização prévia, em que se define o que se pretende observar, com a construção de grelhas de registo. Desta forma, o sujeito observado tem consciência dessa observação, o que pode condicionar o seu comportamento. Numa tentativa de eliminar esse condicionamento, pode-se recorrer a câmaras de filmar, espelhos de uma via, entre outros.
- A Observação Naturalista é defendida pelo método clínico, fundamentando-se na necessidade de observar as condições reais de uma situação.


Método Experimental

O método experimental é um método das Ciências Naturais aplicado às Ciências Sociais e Humanas, que tem quatro etapas: hipótese prévia, controlo e manipulação de variáveis, técnicas de observação e registo e generalização de resultados.
Em relação à segunda etapa temos alguns conceitos fundamentais: Variável dependente significa a variável cuja alteração vai ser estudada, como consequência da manipulação da variável independente. É aquela que flutua e que permite tirar conclusões dessa flutuação.
Variável independente é a que o investigador manipula para verificar as modificações provocadas na variável dependente. Variável externa ou parasita são aspectos alheios à experiência, que, se não forem controlados pelo investigador, podem interferir e alterar os resultados, pondo, assim, em causa a fiabilidade da experiência. Estas variáveis devem ser, dentro do possível, neutralizadas.
O grupo experimental é aquele em que o experimentador manipula a variável independente. O grupo testemunha é aquele que tem as mesmas características do grupo experimental excepto no que diz respeito à manipulação da variável independente. Permite comparar resultados, para verificar quais as alterações efectivamente provocadas pela manipulação da variável. O grupo amostra representativa é uma parte, um subgrupo da população (conjunto total de pessoas acerca das quais se pretende tirar conclusões), que consiste no grupo de elementos em relação aos quais se recolhem dados e que devem ser o mais representativos possível da população.


Método Clínico

Não é um método de pesquisa nem pretende descobrir as leis do comportamento, mas constitui-se de uma série de procedimentos de diagnóstico e tratamento de pessoas com problemas de comportamento e/ou emocionais.
Deste modo, o estudo desenvolve-se sobre um único indivíduo ao longo de determinadas fases:
·         Anamnese: levantamento da história individual do paciente, recorrendo a fontes externas e trazendo à memória informações perdidas. Esta fase permite elaborar algumas hipóteses de trabalho que vão condicionar a fase seguinte.
·         Entrevista: colocação de questões ao paciente na tentativa de seleccionar hipóteses a partir das suas respostas verbais e não-verbais (gestos, reacções, etc.).
·         Observação: estudo dos comportamentos do paciente no seu ambiente natural de modo a confirmar a hipótese seleccionada.
·         Testes: realização de testes de personalidade (do tipo projectivo) de modo a certificar as conclusões. Note-se que estes testes podem ser igualmente utilizados no início do processo de modo a fornecer informações.
A partir da confirmação da hipótese, deduz-se qual o tratamento a desenvolver.


Método Psicanalítico

Com o objectivo de conhecer o inconsciente Freud Estabelece um conjunto de procedimentos que nos podem fornecer informações sobre o inconsciente do paciente, responsável pelos seus distúrbios.
  • Hipnose - Induzir o paciente, através de uma sugestão intensa,   num estado semelhante ao sono mas no qual é possível estabelecer a comunicação com o hipnotizador e ser sugestionado, podendo assim revelar memórias ocultas ou ser condicionado para determinada acção ou comportamento.
  • Interpretação dos sonhos - Os sonhos apresentam imagens figurativas de recalcamentos, ansiedades e medos, que depois de interpretados vão permitir ao psicanalista confirmar os resultados das suas investigações sobre problemas de comportamento apresentados pelo paciente. É o meio de exploração mais seguro dos processos psíquicos pelo que acaba por abandonar a técnica da hipnose.
  • Actos falhados - fenómenos ligados a lapsos de linguagem, de escrita, esquecimentos momentâneos de palavras. São acidentes de carácter insignificante e de curta duração.
  • Transferência - Transferência inconsciente para a figura do psicanalista de sentimentos de ternura ou de hostilidade (transferência positivo ou negativo) actualizando situações reprimidas e esquecidas para que o psicanalista possa detectar as razões do conflito inconsciente. É um processo de catarse, descarga psíquica, restabelecendo a relação entre a emoção e o objecto que inicialmente a despertou.
Estas técnicas, indirectas, permitem que o próprio paciente tome consciência dos seus problemas, só assim sendo possível a sua cura.
Por seu lado a Hipnose, que não permitia a tomada de consciência do problema pelo paciente, vem a ser abandonada.

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